Quando começamos a escrever, é natural querer explicar tudo ao leitor. Contar o que o personagem sente, pensa ou vive parece mais seguro. Isso é narrar. E narrar não está errado. Ele organiza a história e conduz o entendimento.
Mas mostrar é outra camada da escrita. Mostrar é permitir que o leitor descubra, por conta própria, aquilo que o personagem sente, por meio de ações, gestos, silêncios e pequenas reações. Em vez de dizer que alguém está triste, você mostra a xícara esquecida sobre a mesa, o olhar que evita o espelho, a frase que não foi concluída.
Narrar informa. Mostrar envolve.
A diferença está na experiência. Quando você narra, o leitor entende. Quando você mostra, o leitor sente. E sentir cria vínculo e memória.
Para quem está começando, o equilíbrio é essencial. Nem tudo precisa ser mostrado o tempo todo, e nem tudo deve ser explicado. Algumas informações pedem clareza. Outras pedem espaço para serem compreendidas mais adiante.
Uma boa prática é se perguntar durante a escrita: isso precisa ser dito ou pode ser percebido? Essa simples reflexão já muda a forma como o texto se constrói.
Mostrar é acreditar que o leitor é capaz de enxergar o que está nas entrelinhas. E essa forma de desenvolver o seu livro também se aprende com a prática da leitura.
Essa parte da escrita amadurece quando aprendemos a reconhecer o narrar e o mostrar. É aí que a história deixa de apenas contar algo e passa a viver com o leitor.
Acompanhe as postagens semanais e siga comigo nessa jornada da escrita.
Se quiser, deixe sua sugestão ou ponto de vista nos comentários.
Avellar – Autora

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