Quando se trabalha em regime CLT, é preciso aprender a viver entre a realidade e os sonhos.
A realidade bate o ponto, cumpre horários e paga as contas. O sonho é levar na bolsa aquela anotação, aquela ideia que rabiscamos rapidamente no celular, criar capítulos quase inteiros durante o caminho para o trabalho e acreditar que, um dia, aquelas páginas ganharão vida.
A maioria dos escritores precisa conciliar a profissão que sustenta a vida sem deixar a paixão para trás. Carregamos nossos sonhos, mesmo quando o tempo parece insuficiente.
Sei que, para a maioria, também é assim: prometemos que vamos ler no ônibus, escrever no intervalo ou terminar aquele capítulo antes de dormir. Mas, muitas vezes, o cansaço vence.
Escrever, nessas circunstâncias, exige muita dedicação. Cada página escrita depois de um dia exaustivo carrega um esforço que poucos enxergam.
E isso não faz de nós menos escritores, nem significa que desistimos.
Não abandonamos nossos sonhos só porque eles precisam caminhar no ritmo da nossa realidade.
Falo por mim. Quero que meus livros carreguem o peso da história de como foram escritos. Que cada página revele que existiu uma autora que conciliou o trabalho com a escrita, que escreveu quando pôde, nas condições que tinha, sem desistir do sonho. E, quando finalmente chegarem às mãos dos leitores, que eles saibam que cada capítulo nasceu exatamente no tempo em que precisava nascer.
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Avellar – Autora

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